
Esta é a história daquela vez em que eu estava pronto para renegar todo o meu mundo, abandonar tudo em que sempre acreditei e que sempre preguei, por uma garota de 21 anos. Eu teria trocado tudo de bom grado por uma vida com ela, a minha contorcionista bissexual.
Eu a chamava de Bimba Zoccola
Que ela fosse Bimba era evidente logo de cara: miúda, baixinha, com um rosto que parecia ter menos idade do que tinha. Mas que fosse Zoccola não, isso não transparecia em nada: era muito casta no vestir, nunca chamativa, a clássica boa garota que nunca atrai o olhar.
«Meu Deus, ele disse zoccola!»
Sim, eu disse vadia. E disse com devoção.
Lá fora, no mundo banal das convenções, alguns leriam neste termo desprezo ou objetificação. Tu que lês o meu blog, sabes que para mim esta palavra é o mais elevado, belo, nobre que se pode pensar.
Com Vadia quero dizer uma mulher plenamente consciente da sua sexualidade, em contacto com o seu lado mais animal, que usa o corpo para se ligar ao divino, que afoga a incerteza e as dúvidas do presente no momento de plenitude do orgasmo… e que vive tudo isto totalmente indiferente ao julgamento da sociedade, das pessoas, dos outros. Nada a ver com vender-se por dinheiro, coisa totalmente estranha a esta história.
Dito isto, já que o mundo muitas vezes não entende, prefiro chamá-la de Americanina, em honra às suas origens.
Ela me encontrou, como costuma acontecer, num site de relacionamentos.
Como eu dizia, usava esse site pouquíssimo. Tinha cerca de 200 mensagens não lidas. O perfil dela não era particularmente chamativo: ela era bonitinha, mas as fotos não faziam justiça. Não parecia uma daquelas bonecas super montadas.
A minha bimba, porém, tinha um perfil extremamente interessante, uma bunda nada mal, e uma foto de pole dance que dava a entender que talvez houvesse algo mais.
Adorei que ela se apresentasse como uma garota que ama aprender, que quer se arriscar, em busca de um mentor e de muita leveza. Exatamente o tipo de mulher que procuro.
Decidi então responder. E a conversa foi interessante desde o início.
Gostei que ela a levasse adiante com muito interesse.
A bimba tem modos muito gentis e um jeito de ser que te faz sentir importante. Este é um dos seus superpoderes.
Descubro que ela não mora em Milão: eu, dali a poucos dias, partiria para uma semana de vela. Estava prestes a deixá-la de lado, mas ela se oferece para fazer uma hora e meia de estrada para me conhecer, no dia anterior à minha partida.
Valorizei.
O encontro
Ainda tenho diante dos olhos o momento em que a vi pela primeira vez.
Tinha um Panda velho, com todo o seu mundo dentro (sapatos, roupas, patins, objetos de função imprecisa).


Sai do carro e olha para mim. Sorriso e…
um olhar sincero que me fez sentir o homem mais bonito do mundo. Um baita de um gato.
Vamos beber na Darsena. O local onde queria levá-la estava fechado, então contentamo-nos com um lugar como tantos.
Gostei dela logo de cara.
Gostei que ela morasse sozinha, com apenas 21 anos, mantendo-se com um trabalho de escritório, duro mas interessante.
Gostei que ela pagasse os próprios estudos, sem pedir um centavo aos pais.
Gostei que fosse superesportista, anos de ginástica artística, com uma bunda espetacular, flexibilidade indescritível.
Gostei que tivesse a mesma visão de mundo que eu: relacionamentos abertos, vontade de experimentar (sexualmente ou não), grande respeito mútuo mas também muita liberdade, atração por homens mais velhos.
Adorei que fosse bissexual, obviamente.
Enfim, a leitora perfeita deste blog.
Buscava um parceiro de jogo para experimentar todo o espectro do possível.
E a última coisa que desejava era um relacionamento.
Conta-me que eu a tinha impressionado; que o meu olhar “intimidante” (!) a deixava molhada, etc.
Era tudo o que (naquela época) eu procurava numa mulher.
O ponto era que… gostei logo muito dela.
Portanto, o que deveria ser um date sem grandes expectativas transformou-se num encontro interessante, com desdobramentos imprevistos.
Continuamos a conversar, nos beijamos, cria-se cada vez mais conexão.
Por fim, faço algo que nunca fiz na vida com uma garota que acabei de conhecer: convido-a para se juntar a mim na segunda parte das minhas férias.
Vem de férias comigo
Deves saber que eu, em relação a férias, sou um chato de galocha, pior que o Furio de Carlo Verdone. Odeio ter gente desalinhada com a minha ideia de diversão, aventura e relaxamento.
Aos 20 anos, na minha primeira viagem com desconhecidos, insisti em 6 meses de jantares-reuniões preparatórios! Em cada jantar, eu inventava uma forma diferente de me certificar de que todos estavam alinhados sobre o tipo de experiência a viver: mapas mentais, extração de valores e até… uma regressão hipnótica de grupo!
Ok, sou louco, eu sei, mas as férias foram um sucesso e chegamos a um nível de conhecimento mútuo e de intimidade que ainda hoje, após 20 anos, é a base da grande amizade entre nós.
Ela, por outro lado, convidei por instinto, sem muitas perguntas. Aceitou de bom grado.
O resto correu conforme o roteiro: noite na minha casa, foto de praxe deitada nua na minha cozinha, com o meu nome escrito na buceta.
Pedi-lhe uma foto anônima, ao gosto dela, para mostrar a outras amigas, enquanto eu ia rapidinho ao banheiro. Encontrei-a nua no sofá, num espacate impressionante, com o rosto coberto pelo meu livro.
Hilário: na capa está o meu rostão barbudo, então imagina o que é se encontrar no corpo de uma jovem de vinte anos flexível.
Americanina, eu te adoro. Adorei-te desde aquele momento.

O resultado é aterrorizante!
Parto para as férias; combinamos que ela me encontrará na Croácia ao final da minha semana no veleiro.

Enquanto eu estava no barco, dada a sintonia, pedi-lhe um vídeo safado.

Considero que os vídeos safados são o equivalente moderno da poesia, com mais cumplicidade e com capacidade de criar intimidade e conexão.
Não sei o que Dante faria, mas hoje Beatriz responderia certamente com o dolce stil novo do vídeo safado.
A Americanina manda-me uma pequena obra-prima, na qual se masturba com um consolo de um strap-on, repetidamente umedecido pela sua saliva, que a penetra freneticamente enquanto o seu rosto desenha expressões de menina doce que está apenas levando uma picada.
Eu estou lá, meio bêbado, dançando com os companheiros de barco, recebo este vídeo e pensei
“Super zoccola, és a minha Madona”.

Ao final do meu passeio de barco, vou buscá-la no aeroporto. Sorridente, como sempre, coloco-a no carro e vamos para o primeiro hotel.
Olha, eu não sei o que fumei quando reservei os hotéis para a viagem. Estava com pressa, de saída, etc.
Lindos, super centrais, mas… todos pareciam cenários de filme pornô.
O nosso hotel em Zadar era este:

Quarto esférico com as paredes todas de vidro, com apenas um camão enorme no meio, elevado, com direito a degrau para favorecer o de quatro.
Claramente, um cenário assim tem de ser testado.

As paredes esféricas de vidro são algo magnífico: enquanto ela me fazia um boquete, eu olhava para a direita e via a sua bunda de perfeição michelangesca, olhava para a esquerda e via o seu rosto de menina chupadora. Puro prazer.

Além disso, adoro que antes de colocar o preservativo ela o teste soprando dentro, como uma testadora de chiclete.

Como achas que foi a primeira noite?

Bem, depois de uma semana no barco, praticamente sem dormir, bêbados o tempo todo, com um cansaço terrível… depara-me todo aquele espetáculo, neste cenário de filme pornô.
E então gozei logo, naquela que acho que foi a pior performance da minha vida, ahahah.

De qualquer forma, faz parte. Recuperamos bem no resto das férias.
Lembro-me de uma noite em Dubrovnik, em que eu a tinha deixado tão excitada que tivemos de correr (correr!) da cidade antiga até ao hotel para não fazermos na rua.
Outra anedota divertida: o hotel em Zadar era bem no centro, a nossa janela dava para entre a catedral e o batistério. Nos dias seguintes, pegamos firme, com ela muitas vezes encostada à janela olhando os turistas na praça fotografando as ruínas.
Cada vez ela perguntava:
«Mas não vão nos ver?!»
E eu:
«Que nada, é física elementar. No quarto há menos luz, de dia não nos veem. Vai lá embaixo verificar, eu fico aqui em posição. Liga-me e diz.»
E… sim, via-se tudo 🙂
Corpo e Habilidades da Americanina
Na Americanina, várias coisas me impressionaram.
Para começar, o corpo dela é ao mesmo tempo macio e super firme: músculos de aço esculpidos pelos treinos diários, cobertos por uma pele macia e uma camada de gordura finíssima, mas agradável.
Aperto-a com força e entendo o que sente o Plutão de Bernini quando toca Proserpina pela primeira vez: uma consistência dura e macia ao mesmo tempo.

Além disso, é uma ótima boqueteira.
Ao entusiasmo juvenil, une uma devoção sincera e uma técnica notável, apesar da idade.

Uma das coisas que mais amo na Bimba Zoccola é essa mistura entre inocência e safadeza.
Ela explicou-me a origem: esteve vários anos com um rapaz que, por um lado, partilhava a sua vontade de experimentar, por outro era ciumento e inseguro.
Um oxímoro que se revelava na sua potência integral quando frequentavam clubes de swing/eróticos: ela podia fazer boquete em quem quisesse e fazer qualquer safadeza, mas… a única pessoa que podia penetrá-la era o namorado!

Na prática, eu era o quarto rapaz com quem ela transava e o 180º, aproximadamente, em quem ela fazia boquete!
Outra coisa admirável é a sua gentileza.
Ao acordar, dizia-me «Tenho sede, por favor, dás-me de beber?».
E depois de eu gozar na boca dela, agradecia sempre.


Mesmo fora da cama, era sempre gentil com todos, de qualquer profissão e cargo. Em parte é uma herança cultural (não coloco detalhes por privacidade), em parte deve-se ao fato de ser uma menina adorável.
Uma férias longas como uma vida
Não vou contar todas as coisas bonitas que fizemos naquelas férias. As conversas profundas. A proximidade ao nível da alma. Tinha começado como algo leve, para passar o tempo sem pretensões. Tornou-se uma conexão profunda.
Criou-se logo um grande laço, mental e emocional: falávamos o dia todo, sobre tudo, até altas horas da noite. Nunca havia silêncios, havia sempre algo novo para partilhar, algo sobre o que brincar.
Muitas mulheres da minha idade atacam a minha predileção por garotas jovens, perguntando-me «Mas sobre o que falas com uma garotinha?». Bem, não sei porquê, mas as discussões mais interessantes e estimulantes que tive foram com garotas abaixo dos 27 anos.
Além disso, ela tem uma energia e uma vivacidade que me revigoraram bastante.
Passei as férias inteiras a imortalizá-la enquanto fazia o pino nos lugares mais sugestivos, enquanto tentava figuras gínicas absurdas em equilíbrio sobre árvores, subia paredes, enfiava-se em portas e becos, caminhava sobre as mãos no meio de turistas e locais incrédulos.
E ríamos, como ríamos.
Levei-a até para fazer bungee jumping, pena não o ter feito com ela.
Claramente, também havia coisas de que eu não gostava:
- fora do sexo, não gostava de contato físico. À medida que avançávamos, ela soltou-se um pouco, mas no início custou-lhe um pouco.
- Em público, se houvesse crianças, podíamos beijar-nos, mas não de língua… Esta eu ainda não entendi. Mas irritava-me um pouco.
- Tinha gostos musicais péssimos (como todas as jovens de vinte anos, ahahah). Sério, se quiseres sair com sub-23, nunca permitas que elas coloquem essa suposta música enquanto diriges!
- Enchia o saco pela forma como eu dirigia, convencida de que eu queria matar ciclistas. Na verdade… tens de matar alguém com aquela música de fundo!
Isso não tira o fato de que eu estava vivendo as melhores férias da minha vida, sentindo emoções nunca antes sentidas.
Podes entender por que foi tão especial para mim.
Mas o golpe de misericórdia foi descobrir a história dela.

O Golpe de Misericórdia
Eu tinha intuído um passado turbulento. Acabou por me confiar coisas muito pessoais. Por mais que este post seja anônimo, sem qualquer detalhe que a possa identificar, prefiro calar-me a esse respeito.
Que fique claro, também é possível que ela me tenha contado um monte de asneiras.
Porém, se houvesse apenas uma probabilidade de que o que foi contado fosse verdade, cada fibra do meu ser desejaria amá-la. Teria querido cuidar dela, ajudá-la a curar as feridas e vê-la florescer, plenamente realizada no seu potencial.
Esta é uma passagem importante, porque marca duas mudanças:
- Talvez porque ela fosse extraordinária, talvez porque eu tivesse desbloqueado coisas em mim e talvez estivesse apenas no lugar certo na hora certa, talvez a síndrome do salvador… mas apaixono-me por ela. Porra, apaixono-me por ela!
- É a primeira rachadura na nossa relação. Ela nunca me pediu nada. Nunca me pediu ajuda. Não me pediu amor. Queria apenas passar um tempo leve com uma pessoa interessante. Temo que, posteriormente, tenha pensado “Mas por que porra te apaixonaste também? Tinhas-me dito que nunca te acontecia e eu tinha-te escolhido também por isso”.
Talvez o ponto 2 não esteja totalmente claro.
Para ser sincero, declaro que aqui entramos no campo das hipóteses. Na minha opinião, no fundo, ela pensa:
” Não podes deixar-te levar, não podes apaixonar-te, abandona-os tu antes que eles o façam. No final, todos te decepcionam, fazem-te mal, abandonam-te quando estás vulnerável“.
De fato, ela confessou-me que nunca se apaixonou e que não procura o amor.
Pelo contrário, acha entediante quando relações interessantes se tornam banais, com homens que querem reduzir a sua liberdade e acorrentá-la.

cupido, velho bastardo
De qualquer forma, apaixonei-me.
Acontece, dirão vocês.
Uma ova, respondo eu.
Comigo não acontecia há 20 anos.
Eu só me apaixonei assim uma outra vez, aos 16 anos.
O amor não correspondido, que me causou grande sofrimento, humilhou-me aos meus próprios olhos e fez-me perder o respeito por mim mesmo.
Como descobriria mais tarde, esta experiência de infância criou em mim um bloqueio inconsciente em relação ao amor. Toda a minha vida, a partir daquele momento, foi condicionada por isso.
Sou um grande entusiasta do desenvolvimento pessoal, psicologia, autoajuda. Na minha vida li mais de 1000 livros e um bom terço deles é precisamente sobre este assunto. Estudo para me tornar uma pessoa melhor e coloco-me integralmente à disposição das minhas garotas para ajudá-las nas suas vidas.
Tenho coaches, mentores, com quem periodicamente revejo os meus limites e desbloqueio partes da minha vida.
Na semana anterior a conhecer a Americanina, tropeço neste limite e resolvo-o com uma sessão de hipnose/reestruturação de partes profundas e outras técnicas. Coisa que na psicanálise leva 2 anos e que aqui fazes numa sessão.
Coisa potente.
Potente demais: terminada a sessão, pensava que era o mesmo; ainda não sabia o que significava; não tinha mudado o meu mapa do mundo.

Então, quando nos conhecemos, eu acreditava ser igual à Americaninha: “Mas quem precisa de amor!”, com vontade de liberdade, experimentação, conexão.
Depois das férias, eu e a Americaninha já não estávamos alinhados: eu tinha voltado a amar, ela não. Pelo menos não me amava.
Quanto mais avançávamos nas férias, mais eu me tornava terno, afetuoso, envolvido por ela. Já não era o cara descolado do início, estava a dar tudo, imediatamente, sem qualquer investimento emocional em troca.
Na verdade, via que ela também se estava a abrir, tornava-se gradualmente mais afetuosa, mas mais lentamente. Eu era um rio caudaloso, provavelmente até demais. A represa tinha-se rompido e uma avalanche guardada por 20 anos estava prestes a abater-se sobre o vale. Sobre uma garota que não procurava amor.

Reviravolta!
E aqui, no auge da minha felicidade, chega a reviravolta que me atravessou como uma lança.

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