
As histórias com a Olhos de Mel são sempre muito movimentadas, a gente nunca se tedia.
Uns dez dias depois de ter me afastado dela… entro em contato de novo.
Sim, eu sei, sou um otário. O sexo com ela é bom demais, eu gosto muito dela, no fim só preciso aceitar a relação pelo que ela é: uma amizade colorida conveniente. E esquecer qualquer plano de me apaixonar.
Meu objetivo é ativar um MLTR com uma garota com quem transo bem, de quem gosto, sem querer mudá-la, sem querer que ela se apaixone por mim, sem querer ser especial. Pegar o melhor que ela pode me dar, ficar de boa com isso, inseri-la dentro do meu novo/velho frame de relações múltiplas.
O que eu penso dela é que, no fundo, ela é uma espertinha. Uma espertinha de quem eu gosto muito, em vários níveis.
Marcamos de nos encontrar na quarta-feira. Na terça à noite ela me escreve perguntando se podemos antecipar e nos ver no mesmo dia. Ela vem na minha casa.
“Desta vez você não me engana”, penso, enquanto abro a porta para ela.
Nós nos olhamos.
E sou enganado na hora.

Ela me diz:
«Sofri muito por como você me deixou, não sou uma figurinha para pegar, trocar, abandonar. Senti sua falta, falei de você para as minhas amigas, do quanto fiquei mal quando você me afastou».
Eu peço desculpas por como a dispensei, mas reitero que, para mim, sinceridade e respeito pelo meu tempo são fundamentais. Digo que ela pode fazer o que quiser, dentro desses dois princípios, que aceito uma relação até mais descompromissada, só quero poder confiar nela.
Insisto:
«Você queria sair transando por aí? Poderia ter feito isso sem me contar mentiras ou sem me deixar esperando feito um tonto, abusando do meu tempo. Com certeza você tinha outras relações, com certeza transava por aí, talvez até esteja com o coração ocupado por alguém.
Sabe o que eu te digo? Tudo bem, mas não minta para mim. Vou parar de querer de você algo que você não quer/pode me dar. Só quero sair com você e ficar bem. Você não precisa mentir para mim para que eu continue saindo com você».
Ela insiste, jura, jura de pé junto que não é verdade que transava por aí, que não é verdade que tinha outras relações, que só uma vez saiu com um cara enquanto a gente saía e se arrependeu.
Eu: «Amém, mas… por que continua me contando lorotas? Diga as coisas como elas são, você não tem nada a perder».
Ela insiste.
Bom, digo a ela que o passado passou, de agora em diante vamos prometer sinceridade.
Prometemos sinceridade com o ritual milenar do… “jura de dedinho”.
Olho para ela.
Pausa.
Eu: «Ok, já que te prometi sinceridade, vou fazer algo que pode me levar a te perder. Vou te falar a verdade: na última noite, enquanto você dormia, olhei o seu celular. Sei que é feio, que não se faz, mas eu não confiava».
Ela nem pisca: «Sim, eu sabia. Aliás, se quer saber, você olhou o celular antes também, à noite, enquanto eu estava no banheiro».
«?? E como você sabe?»
«Encontrei ele em uma posição ligeiramente diferente e com um chat novo sem notificação».
«…»
«Então é por isso que você está convencido de que eu transava por aí. Eu sabia, tinha dito ao meu amigo que você tinha lido minhas mensagens».
«…»
«À noite, você me pediu para carregar o celular do seu lado. No dia seguinte, alguns chats novos não tinham notificação. Além disso, de manhã percebi logo pela sua atitude que você ia me dar um fora: estava frio, tentou transar comigo no estilo “última vez”, não via a hora de eu ir embora. E, acima de tudo, me pediu para te mandar os vídeos em que eu te fazia boquete… eu sabia que você ia me largar e fiquei mal com isso».

«E eu que achava que era inteligente… enfim, de qualquer forma, sinto muito».
«Que nada, se você precisava disso, amém. Só me entristece que você não tenha falado comigo depois. E espero que não tenha lido a conversa com a minha família, tem coisas muito pessoais que — se for o caso — é justo que eu te conte. Você não leu, leu?»
«Não, eu li apenas as conversas com outros homens e com o seu amigo. Aliás, tirei foto disso aqui onde você declara ter várias relações com várias pessoas para esse cara, acho que um namorado distante».
Mostro o print
«Ele é meu melhor amigo desde que éramos crianças. É verdade, no começo eu tinha outros rolos. Mas assim que a nossa ficou séria, não quis mais ver os outros. Não fiz mais nada. Exceto uma vez, com um cara, mas me senti culpada. Não gosto disso, não quero essa vida. Eu queria estar com você».
Sei lá, talvez seja tudo papo furado. Talvez ela tenha feito as piores coisas. Mas, desde então e por todo o tempo seguinte, sinto algo inédito nela.
Ela está diferente da garota que conheci 10 dias antes.
Está mais envolvida. Está mais frágil. Sinto que sou muito importante para ela.
Poderia até arriscar a palavra “apaixonada”.
Pela primeira vez, independentemente das palavras, sinto que posso confiar.
Passamos a noite toda juntos. No dia seguinte eu vou trabalhar, ela fica na minha casa. Limpa a cozinha e arruma as coisas. Vai rapidinho na casa dela para se trocar e já está na minha quando volto do trabalho.
Ela está carinhosa como nunca. Está fofa. Me olha o tempo todo, até escondido. Está sempre grudada em mim. Não errou uma única coisa em dois dias.
Olho para ela e digo:
«Sabe, pela primeira vez confio totalmente em você. Faz de mim o que quiser. Sei que pode me machucar, mas não me importa. Mentir para mim e me manipular seria um péssimo uso de mim, um desperdício. Mas tudo bem. Sinto que posso confiar em você e confio. Não tenho mais dúvidas».
Estamos bem.
Ela sabe que no fim de semana eu deveria ver a PeitosDoces. Várias vezes ela me pede para avisar o que pretendo fazer.
Digo a ela: «Mas espera, você quer que eu não a veja?»
«Não, faz o que você quiser. Aliás, faz bem em vê-la, assim você entende».
«Sim, então por que continua me perguntando? Por que isso é importante para você?».
«Bla bla bla, faz o que quiser, bla bla, você tem que entender, é justo, bla bla, coitadinha, você não pode simplesmente cancelar».
«Sem enrolação, te incomoda que eu a veja?»
«Não, por enquanto não».
«Por enquanto? Você tem medo de que no fim de semana, enquanto eu estiver com ela, você fique mal?»
Ela me olha com vergonha e sussurra «Sim».
Insisto.
Ela me diz que não sabe se pode se entregar para mim, que todos em quem confiou a decepcionaram/traíram, que eu sou diferente de qualquer homem com quem ela já esteve, que tem medo de ficar na minha mão.
Eu: «Mas você gosta mesmo tanto assim de mim? Sempre pensei que uma gata como você, para estar comigo, com certeza tem um motivo bem específico por trás. Mas o que eu tenho de diferente?»
«Além de eu te achar lindo, eu adoro que você é gentil. Como me trata, como me olha. Você cuida de mim. Desde o primeiro momento, percebi que você é diferente. É carinhoso. Até aquela vez que o seu pau não funcionou… eu gostei».
«?!? Mas como?!»
«Sim, porque significa que você, quando me come, me come com sentimento, que coloca o coração. Não é uma coisa mecânica, tem uma conexão incrível entre nós. O que tem com você nunca me aconteceu antes. Por isso deixei você gozar dentro aquela vez; só fiz isso em uma outra ocasião. Tenho medo de que, tendo me entregado para você, você acorde uma manhã, me mande um áudio e suma como fez da última vez»,
«Olhos De Mel, não posso te prometer agora passar a vida toda com você. Depende do que sentirmos, de como nos comportarmos, de muitos elementos. Mas te prometo duas coisas:
a. que serei sempre sincero e falarei das minhas dúvidas antes de tomar decisões.
b. cuidarei de você e tentarei fazer você se sentir bem.
Vou cancelar todos os meus encontros com as outras, verei só você».
Então, cancelei todos os encontros com as outras garotas desta semana (tinha três marcados, uma mais bonita e interessante que a outra, incluindo uma loira de tirar o fôlego que ficou possessa). Corto também meus outros contatos regulares e até levo uns foras na cara.
Ela: «Mas eu quero que você veja a Peitos Doces.
Sei que para vocês é importante».
Ele ainda me escreve uma mensagem mirabolante que tenho dificuldade de entender (que tive que remover por privacidade, paciência)
Uhm, pedido estranho.
PeitosDoces espera para me encontrar há semanas, é doce e fofa, diz que não quer ver outros homens além de mim, embora eu possa fazer o que quiser. É um concentrado de ternura, doçura e amor. Na verdade, me pesaria não revê-la.
«Não faz sentido eu cortar com todas e ver a única pessoa realmente importante além de você. Por que você me pede isso?»
Ela me diz claramente que tem medo de que eu possa mudar de ideia daqui a 1 ou 2 semanas, que eu possa perceber que cometi um erro ao me privar dessas oportunidades.
Prefere que eu encontre a PeitosDoces para viver totalmente as emoções e entender o que sinto. Porque assim, amanhã, eu não teria dúvidas nem arrependimentos.
Porque se ela se apegasse, se entregasse e daqui a 2 semanas eu mudasse de ideia… ela ficaria muito mal. Prefere não criar expectativas do que ser decepcionada. Tem sempre medo de que eu possa afastá-la de novo, que possa mudar de ideia.
Ressalta que, para mim, essa coisa de exclusividade é nova, quem garante que eu não mude de ideia rápido?
Enfim, ela não confia em poder confiar em mim.
Ela aprecia esse gesto, mas no fundo não acredita nele.
Sinto cheiro de queimado. Mas ela insiste, insiste até a exaustão.
E eu, o desgraçado, respondi.
«Já sei que depois de encontrá-la vou confirmar minha decisão de ver só você. Mas ok, será útil para ambos, para termos certeza total. Vou vê-la no fim de semana, já que você não vai estar».
Chega o fim de semana e encontro a PeitosDoces.
Achei que ficaria pensando na OlhosdeMel, que não conseguiria fazer nada.
Mas, na verdade, estou bem, muito bem.
Eu gosto mesmo da PeitosDoces.
Mas estou envolvido por esse retorno da Olhos De Mel. Nunca a tinha visto tão interessada, tão terna, tão frágil. Ela me pareceu apaixonada.
Reencontro a Olhos De Mel depois de alguns dias.
Eu a abraço e digo:
«Fiquei bem com a PeitosDoces.
Mas estou muito na sua.
Como eu já pensava, quero você, não quero ver mais ninguém.
Mas não quero uma coisa pela metade, com você eu quero um relacionamento. Quero dar um all in».
Estou com coraçõezinhos nos olhos, ao fundo parece que ouço aquela trilha sonora clássica de comédia romântica.
E eis a resposta dela:
«Eu não».
Olho para ela perplexo.
«Não posso ficar com um homem que, para decidir ver só a mim, teve que ver outra».
«Mas se foi você que me pediu isso, até a exaustão?!»
«É, mas você não deveria ter aceitado. O fato de você, para ter certeza, ter precisado ver outra não me deixa tranquila. Quem me garante que daqui a algumas semanas você não mude de ideia?»
Fica um gelo no ar.
«Puta que pariu, você me armou uma cilada.
Eu confiei em você e você me ferrou».
Ela nega que quis me ferrar.
«Pelo contrário, a armadilha você fez para si mesma. Você estava se envolvendo; isso te assustava e você encontrou um jeito de diminuir a importância disso. Me diz uma coisa: o que você sentiu este fim de semana? Ficou com ciúmes?»
«Não, não fiquei. No fundo, fui eu que te empurrei para essa situação, fiquei triste por não te ver, mas não tive ciúmes».
«Mas na semana passada você estava morrendo de ciúmes. Isso significa que no momento em que caí na armadilha, te dizendo que veria ela, você rebaixou o nosso relacionamento. Perdeu o interesse.
Eu sei que não sou perfeito, ok, errei, fui bobo, mas mesmo nos meus erros sou sincero e te segui.
Eu não quero me contentar com você. Não me interessa uma relação nivelada por baixo. Quero subir. Por mim você pode até se mudar para cá, se quiser, mas não acho que aguento por muito tempo uma relação com um “teto” limitando o crescimento».
E desde então ela voltou a ser a de antes.
Nada de parênteses romântico.
Nada de olhinhos de coração.
Simplesmente uma amiga para transar.
E aqui o dilema: fui eu que mandei tudo para o espaço?
Ou aquela semana de forte interesse foi apenas uma oscilação casual no fluxo de emoções? Talvez tenha sido apenas a reação de uma mulher linda e desejada ao ser afastada por ter sido pega no flagra.
*** Bom, felizmente foi assim
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